sábado, 29 de agosto de 2015

Holanda - Primeira semana

One down, 47 to go. Quase lá. Por enquanto, eu ainda estou assim, querendo que passe rápido.
Bom, meus host parents nos buscaram no acampamento e fomos a caminho da nossa cidade, uma viagem de duas horas pelo interior da Holanda. Chegamos em Berkel, em frente à nossa casa, e nos deparamos com um mini jardim, uma porta azul e branca, e vários enfeites em que se lia "Welkom". Fizemos, então, um tour pelos três andares, e eu dei uma atenção especial para o meu quarto. Muitas cores, muitos bichinhos de pelúcia, muito eu. Havia inclusive um poster de Nova York que minha mãe disse ter comprado especialmente para mim. Desde o primeiro dia, fui recebida com muito carinho. Mas o que eu realmente queria era deitar na cama e dormir, só que ainda havia muito para conhecer. Comecei a desfazer as malas e enrolei durante o dia todo. Fui ao supermercado com minha mãe, desfiz mais um pouco das malas, enrolei mais. Quando percebi, já era hora do jantar. Graças a deus, a comida era muito boa. E depois do jantar: hora do chá. Esses europeus são muito fofos. A família reunida para assistir tv tomando chá. Subi para o meu quarto assim que percebi que estava quase dormindo no sofá. 
Acordei meio sem entender o que estava acontecendo. Demorei alguns segundos para reconhecer o meu novo quarto e lembrar que aquilo não era só um sonho e essa era minha vida nova. O café da manhã de domingo foi muito gostoso. Muitas opções de pão, geleias, nutella, até mesmo granulado para deixar a refeição bem saudável. 
A partir de então, a semana passou muito rápido. Tiramos um dia para conhecer Rotterdam, que é completamente diferente da cidade onde eu moro. Além de ser muito mais moderna, algumas esquinas realmente exalavam maconha.
Visitei minha escola, para aprender o caminho e escolher minhas matérias. Ela é muito bonita, muito organizada, mas eu só conseguia pensar em como ficaria nervosa no primeiro dia de aula. Na verdade eu já estava nervosa. Mas tudo bem, esse era só o começo de tudo.

domingo, 23 de agosto de 2015

Holanda - Orientation Week

Chegamos então ao começo dessa história. No desembarque do aeroporto de Amsterdam. Algumas pessoas queriam ir ao banheiro, outras queriam comer... eu queria comprar um perfume. Mas isso não foi possível. Assim que pegamos nossas malas, cercadas por muitas e muitas pessoas loiras, fomos ao encontro das nossas coordenadoras. Elas nos levaram a um grupo de intercambistas que aguardavam o horário de ir para o acampamento. Tivemos tempo apenas para comer - grande arrependimento na escolha da comida. Até agora não sei explicar o que era aquilo, mas era ruim. Assim que o resto das pessoas chegaram, fomos juntos para o ônibus. Eram aproximadamente duas horas de viagem, então, assim que parei de olhar para a cidade, a paisagem, as placas e basicamente tudo de diferente que eu encontrei, acabei dormindo. E queria ter dormido mais. 
Quando chegamos, estava frio e chovendo. Ótimo jeito de começar, eu sei. Levamos nossas malas com muita dificuldade até os respectivos quartos e deu pra ver que o lugar era lindo, mas a chuva e o cansaço não ajudavam. O plano para o dia era basicamente fazer nada e conhecer uns aos outros. E foi isso que fizemos. Além do Brasil, tinham pessoas da Itália, Alemanha, México, Argentina, Tailândia... foi muito legal fazer amizade com todos eles. O jantar foi às 18h30 e a gente comeu hambúrger e batata frita. Mas a carne não era carne, era uma imitação de carne que me deu muita saudade do Brasil. Falar em saudade do Brasil, antes de dormir eu achei um caderninho na minha mala. Para todas as pessoas que escreveram, eu amo vocês, muito obrigada. 
O dia seguinte amanheceu mais bonito, porém ainda frio. O café da manhã era pão. O almoço também era pão. Aparentemente na Holanda eles gostam muito de pão. Tivemos literalmente traffic lessons para andar de bicicleta e exercícios sobre o significado das placas. De tarde fomos para uma cidade a 6km de onde estávamos. O caminho foi lindo, cheio de paisagens lindas, campos enormes e algumas casinhas muito fofas. A cidade era bem pequena, mas cheia de lojas. Foi lá que comprei um chip holandês para o meu celular e agora tenho internet pro resto do mês. Isso serviu basicamente para mandar snaps porque o wpp raramente funcionava. De noite tivemos mais tempo livre. 
Já na quarta feira, as pessoas não aguentavam mais comer pão. Logo depois do café da manhã, tivemos um workshop. Eu não sabia o que era isso antes e continuo não sabendo. Fato é que tivemos, digamos, uma aula interativa sobre culturas. Aprendemos algumas coisas sobre a Holanda e apresentamos diferenças sobre cada país. A parte mais legal foi quando a "professora" dividiu a sala em dois grupos: o grupo dos brasileiros e italianos, e o grupo dos demais. Esses dois países tem hábitos mais... afetivos. Ela nos chamou para fora da sala e explicou que teríamos que entrar e escolher alguém para cumprimentar com abraços e beijos. Os tailandeses e japoneses acharam muito estranho, mas foi divertido. De tarde, depois do almoço (pão), fomos para um lugar lindo do acampamento que ainda não havíamos conhecido para atividades como escalada, canoagem, vôlei de praia, etc. Não lembro o que tinha para o jantar, mas foi às 17h30. É claro que de noite todos nós estávamos com fome, então saímos para comer pizza. 
Quinta feira nossas aulas de holandês começaram. Fizemos uma prova que mostrava em qual nível estávamos e depois nos dividiram em cinco grupos. A aula durou o dia inteiro, mas foi muito legal. Nesse dia, o jantar foi macarrão. Italianos bravos: "Rubbish! This is not real pasta!". De noite, mais pizza. Da pizza eles gostavam, até.
Sexta feira o dia já começou com aula de holandês. No final, fizemos uma prova e ganhamos um certificado bonitinho, mas completamente inútil. O jantar foi um churrasco. "Churrasco". A carne era simplesmente nojenta, fiquei com saudade do Brasil, e acabei comendo batata. Depois de comer, fomos ao teatro, para as apresentações de cada país. Nós misturamos "Aquele abraço" com "País tropical" e "Lepo lepo". Foi tudo muito legal, e para encerrar a noite - e a semana - teríamos uma festa. "Festa". Pedimos pro DJ colocar "Lepo lepo" e "Ai se eu te pego" e várias pessoas conheciam. As que não conheciam aprenderam, porque, vamos combinar, não é muito difícil.
O dia seguinte foi cheio de abraços e despedidas. Despedidas daquelas pessoas que em tão pouco tempo haviam se tornado tão queridas. E despedida daquele início de intercâmbio maravilhoso, completamente diferente do que eu imaginava. 

Holanda - Pilot

Esta história vai ser longa. A maior que já contei. Alguns vão querer saber todos os detalhes, outros, nem tanto. Não vou dizer que a conto para aqueles que ficam ansiosos pelo próximo capítulo, muito menos para os que nem mesmo abrem o livro. Conto por contar. Conto pelas memórias que não posso esquecer. Devo a mim mesma me lembrar de todos os detalhes. 
Diferentemente da maioria das histórias que ouvimos, esta não começa no começo. Ela começa no fim. Na despedida. Em casa. Até então, eu só tinha uma. 
A festa de despedida foi muito mais linda do que eu imaginava. Me vi cercada de balões com fotos da Disney, créditos ao meu irmão. Engordei uns 5kg, com todos aqueles docinhos e salgados sensacionais, créditos a uma pessoa aparentemente maravilhosa que não tive a chance de conhecer antes, mas que, com um pouco de sorte, terei outras oportunidades de ver. Claro que a melhor parte, de longe, foi a fonte de chocolate. 
Muitos abraços, muitas palavras bonitas, muito amor. Poucos ficaram, e estes acompanharam a mini maratona de Friends, para matar a saudade. Foi um "boa noite" doído, o último na minha cama. Mas eu estava feliz. Tranquila, pelo menos. 
O dia amanheceu bonito, as pessoas começaram a chegar, comecei a me preparar para Confins. Saimos de casa um pouco depois do horário planejado, mas deu tudo certo. Chegamos ao aeroporto ao mesmo tempo que a família da Letícia e fizemos o check in juntas. O tempo passava e era como se nada de especial fosse acontecer. E de repente, foi tudo de uma vez. As despedidas começaram, as lágrimas não pararam de escorrer. O último abraço, o último "eu te amo", o último "vou estar te esperando". As portas se fecharam. Foi uma sensação de que tudo tinha acabado. 
Entramos muito rápido no avião depois disso e esse sentimento de despedida foi embora. Voltamos a não entender o que estava acontecendo, ou melhor, o que estava prestes a acontecer. Dormimos, comemos, dormimos mais... foi basicamente isso por nove horas. Chegamos em Lisboa e fomos para a imigração. Sinceramente, quase pedi para que o cara falasse em inglês. Português de Portugal é muito difícil de entender. Mas a "entrevista" durou 30 segundos. Logo depois já entramos no avião de novo, rumo a Amsterdam. Dormimos por mais três horas. E acordamos na Holanda.