segunda-feira, 29 de julho de 2013

Nova York - 3o dia

"Ai". Foi a primeira coisa em que eu pensei. E a segunda. Na verdade foi a única coisa que conseguiu alcançar meus pensamentos a cada passo que dei até o banheiro. Tomar banho poderia ajudar, mas a dor não sumiria como uma mágica. Queria poder dizer que eu superaria e que nada estragaria meus preciosos dias, mas estava doendo muito. E com certeza acabaria com alguma porcentagem da minha felicidade. Porém, não havia mais nada que eu pudesse fazer, além de arrumar para sair. Isso porque "sair" significava conhecer cara a cara a cidade que há tanto tempo ocupava minha mente. Eu sempre tive uma visão muito bonita de Nova York, o que impulsionou meu sonho, mas, ao vivo, tudo era 1000 vezes mais bonito. Tomei banho, o que realmente diminuiu boa parte do sofrimento, e tomamos café. Tínhamos descoberto, já no dia anterior, uma padaria ao lado do hotel, onde começamos a comprar pão, queijo, sucos e.. Só. Era essa a nossa refeição. Esquentávamos no microondas do quarto (como não tínhamos prato, usávamos o papel da sacola das compras - elite BH). O nosso destino de hoje era Midtown. Não pegamos o metrô, o que poderia até não ter sido uma grande idéia, mas valeu a pena, pois passamos pelo Central Park. Acho que não existe no mundo algum lugar mais lindo do que esse parque. As árvores são altas, com folhas perfeitamente verdes, atravessadas por raios de sol que deixam uma sombra no caminho por onde passamos. Os lagos, de águas limpas, fazem um reflexo da cidade, desmanchado quando as pessoas passam por cima em suas canoas. E as pontes deixam tudo mais mágico, dando a impressão de que aquele cenário foi retirado de um conto de fadas, em que você é a mais linda de todas as princesas. Entre passos, suspiros e fotos, atravessamos o parque. Meu pai queria nos levar à loja da Apple, onde todos ficamos loucos. Por fora, ela era toda de vidro, enfeitada com uma grande maçã branca que parecia estar flutuando. Descemos as escadas e nos encontramos rodeados por milhões de iPads, iPhones, iMacs, iPods, etc. Ficamos um tempo lá, enquanto o dinheiro continuou guardadinho na carteira. Claro que eu, desastrada que sou, tive que ativar o alarme de um iPod, o que fez com que todas as pessoas olhassem em minha direção. Menos o vendedor, óbvio, que demorou anos pra chegar lá. Para ir embora, subimos o elevador, o que eu estava doida pra fazer, pois ele também era de vidro, em uma forma cilíndrica. Tinha até fila, apesar de ser apenas 1 andar e ter uma escada a exatos 2 passos de distância. Como eu falei, ele era muito legal. Mal deixamos a loja da Apple e entramos em uma outra ao lado, dessa vez de brinquedos. Porém, tudo que eu consegui enxergar foi a enorme seção de doces no fundo. Eles eram absurdamente caros, mas eu consegui convencer minha mãe a colocar uns 100g de balas no saquinho (o que correspondia a mais ou menos 2 centímetros de altura). Coloquei de tudo um pouco, uma vez que "pouco" significava 1 exemplar. O que mais me chamou atenção foi a world's largest gummy bear. Ela era realmente gigante, precisaríamos de dias para comê-la. Mas eu, infelizmente, não tive a oportunidade de tentar. Saí da FAO com apenas meu saquinho e fomos, enfim, ao 1o destino do meu roteiro. Andamos, andamos e chegamos. Meu coração novamente parou ao chegarmos ao saguão principal do Grand Central Terminal. Estaria eu com uma irritante fixação ao pensar que aquele era o lugar onde Gossip Girl havia começado? "Someone saw Serena getting of the train at grand central!" Tive que tirar uma foto onde alguém tirou uma foto dela. Quando meus pais conseguiram me arrastar para fora de lá, fomos até a First Avenue, para conhecer a famosa ONU. A caminhada pareceu uma eternidade, pois estava muito quente. Lá era muito bonito, com bandeiras de vários países, que rodeavam a grande entrada que seguia para um prédio alto. Eu estava contando os segundos para poder entrar e encontrar um ar condicionado, mas para nossa incrível sorte, só poderíamos se tivéssemos agendado uma visita guiada. Aproveitamos uma humilde sombra por alguns minutos e até pensamos em pegar um taxi, mas resolvemos andar mesmo, parar em algum lugar e almoçar de uma vez. O restaurante que escolhemos era bem simples, mas pelo menos deu pra descansar um pouco e acumular algumas energias. Nossa próxima parada seria o Rockefeller Center, mas no caminho passaríamos por alguns lugares que eu queria conhecer, como o Palace Hotel e o Waldorf Astoria. Este era bem bonito, mas não teve a menor graça; aquele estava fechado para reforma, o que me deixou meio chateada, mas logo seguimos em frente. O Rockefeller era muito legal. Tinha uma parte exterior onde havia uma espécie de restaurante, mas quando eu pedi à moça para entrar e tirar foto ela respondeu que lá era privado e não eram permitidas as fotografias. (???) ok né. Entramos em um dos prédios e mais uma vez a temperatura já me deixou feliz. Ficamos passeando um pouco lá dentro e descobrimos a existência do chamado Top of the Rock, em que subimos até o terraço e temos uma visão da cidade por quanto tempo quisermos. Compramos os ingressos e nos separamos da minha irmã, combinando de nos encontrar às 7:40 pm. Enquanto isso, eu e meus pais faríamos nossa própria programação e ela, provavelmente, faria compras. O lugar que eu mais queria ver era a NBC Experience, localizada em 30 Rockefeller Plaza. Foi muito fácil achá-la. Assim que entrei, meus olhos brilharam. Minha vontade era comprar tudo lá! Eram camisetas, canecas, chaveiros, almofadas de várias séries. Uma das primeiras seções era a de Friends e eu fiquei louca!! Pena que as coisas eram caras, senão eu realmente teria esvaziado aquele lugar. Avisei minha mãe que eu tinha que ter pelo menos algumas lembranças. Voltei para a entrada, onde outra coisa me chamou atenção: uma cadeira. Não era uma simples cadeira, mas a de The Voice, com direito a apertar o botão e ler "I WANT YOU". Ao lado ainda havia camisetas do Adam, da Shakira, do Usher e do Blake com diferentes frases. Aquela loja era perfeita. Comprei alguns chaveiros, mas depois eu voltaria lá e levaria mais coisas. Foi muito difícil sair, mas vi que estava na hora. Tínhamos que conhecer o Bryant Park, rapidamente, e depois visitar a Times Square para pegar nossos ingressos para o musical do Rei Leão que iríamos no sábado. Deu pra ir com calma. O parque era lindo, e a Times mágica como sempre, porém aquela visão do Top of the Rock superou todas as minhas expectativas. Ficamos lá por quase 2 horas, mas pareceram minutos. O sol se pôs e a cidade, até então clara, ficou iluminada. Eu não conseguia parar de tirar fotos e fazer vídeos, para marcar as diferenças de tempos em tempos. A cada segundo que se passava, tudo ficava ainda mais lindo. Aquela Nova York maravilhosa de filmes e séries realmente existia, e estava ali, ao meu alcance, ainda mais bonita do que eu esperava que fosse. Quando finalmente voltamos ao hotel, eu me arrumei para dormir o mais rápido que pude e apenas desmaiei na cama, imaginando se o próximo dia também seria assim tão bom.














                                


domingo, 28 de julho de 2013

Nova York - 2o dia

Quando estamos muito cansados, a noite passa no que parecem ser 5 minutos. Minha mãe me acordou pontualmente às 7h. Pensei em protestar, em pedir mais meia hora de sono, mas lembrei de que eu estava em Nova York e acordar cedo era exatamente o que eu queria. Isso porque esse seria o único jeito de aproveitar tudo. E dormir tarde, claro. Acho que decidimos fazer os dois, por precaução. Quando abri os olhos e senti meu corpo, tudo da minha cintura para baixo estava dolorido. Mesmo com o ar condicionado ligado, estava com calor. Fiquei preocupada. Se na manhã do segundo dia eu já estava assim, como eu iria agüentar 10? Decidi tomar banho para tentar ganhar forças. Meu cabelo agradeceria, pois ele tinha ficado imundo no dia anterior. Sai do banheiro bem melhor, mas meu pé ainda doía. E não. Não era uma dor boa de "ela só existe porque eu estou em Nova York e isso é muito legal". Era uma dor mesmo - horrível, chata e persistente. Depois de arrumar e pegar o metrô (estávamos usando tanto o subterrâneo que decidimos comprar, por 30 dólares cada, passagens ilimitadas por 7 dias), chegamos ao Lower Manhattan. Lá, resolvemos pegar uma balsa que passaria pela Estátua da Liberdade e pararia na Staten Island. Nós não desceríamos na estátua, mas chegaríamos perto o suficiente para admira-lá e tirarmos boas fotos. No passeio, descobri que aquela paz que eu havia sentido no dia anterior não era quase nada comparada àquela sensação. Enquanto eu olhava para toda a cidade, sentia o vento no meu rosto (o vento de Nova York) e observava o símbolo da liberdade dos Estados Unidos ficando cada vez mais próximo, contornado por um rio de águas claras que, de tempos em tempos, respingavam em mim. Chegamos à ilha, mas não fizemos nada além de esperar pela balsa que retornaria a Manhattan. De volta ao Sul do meu lugar preferido no mundo, começamos a procurar as atrações do roteiro. Passamos por um museu que não estava nos planejamentos, mas que foi muito legal. Era dos índios americanos, o que era até interessante, mas acho que o que eu mais gostei foi do "frio" que estava fazendo lá dentro. Sempre soube que nos Estados Unidos e em diversos lugares do mundo onde a temperatura atinge níveis muito baixos, nas épocas de inverno, o interior dos ambientes tem um aquecedor. Isso devia ser ótimo para que as pessoas entrassem e não precisassem ficar com seus casacos gigantes enquanto comiam alguma coisa ou conversavam com alguém. Porém, nunca imaginei que isso também funcionava com o calor e que no verão existiria um ar condicionado tão forte em - literalmente - todos os lugares em que entrássemos. Graças a deus esse costume existia. Acho que eu não agüentaria aqueles 40º por muito tempo. Depois do museu, fomos procurar o touro de bronze do Battery Park. Diz a lenda que quem tira uma foto encostando no foucinho do animal terá riqueza pelo resto da vida. Minha mãe, semanas antes, já estava obcecada com ele, mesmo que não acreditasse nessas superstições. O encontramos ao avistar uma fila grande de pessoas. Ao chegar mais perto, percebemos que elas estavam do lado direito do touro e que tinha também um fotógrafo na frente dele. Não iríamos de jeito nenhum esperar naquele lugar, então aproveitamos o lado esquerdo - completamente vazio - e tiramos fotos, encostados no corpo dele mesmo. Quem sabe teríamos metade da riqueza? Para mim estava ótimo. Enquanto esperávamos pelo dinheiro que teoricamente cairia do céu, voltamos a aproveitar Nova York. Passamos pela Wall Street, uma rua famosa, pelo que eu ouvi dizer. Lá era muito legal e tinha várias lojinhas. A parte que eu mais gostei foi um mini supermercado que a gente encontrou no caminho, onde compramos alguns biscoitos legais, froot loops (de Nova York!!) e a melhor parte: uma água especial. No Brasil, a encontrei no Verde Mar por 16 reais. Nos Estados Unidos, por menos de 5 dólares cada, avistei uma prateleira cheia delas. Lá estava, escrito repetidas vezes na minha frente: VOSS. Eu tinha que comprar aquela água. Não era possível... Uma água de 16 reais devia ter sido retirada da fonte da juventude. Nem esperei que pagássemos e abri a garrafa para tirar uma foto tomando Voss. Decidi fazer um video, pois o retrato não dizia "retardada" o suficiente. Fiz a melhor cara que pude para não decepcionar minha mãe (quase tão empolgada quanto eu), pois ela tinha o mesmo sabor de qualquer outra água de 1,50. Mas quem liga? No mínimo eu poderia pagar de rica e tomar Voss quando voltasse ao Brasil, pois com certeza eu guardaria a garrafinha. Depois de sairmos do mercadinho, fomos procurar o cubo vermelho que, nada mais era do que um "dado" gigante. Mas minha mãe insistiu que queria vê-lo e, de certa forma, era caminho. Foi bem fácil acha-lo, óbvio. (O que é um pontinho vermelho no meio de 50 mil prédios pretos em NYC?). Tiramos fotos tentando fazer parecer com que estávamos segurando o cubo, ou escorando nele, ou sendo esmagados, etc, mas não tínhamos tanto talento. Parecíamos apenas pessoas com sérios problemas mentais fazendo isso no meio da rua. Olhamos para o relógio, que mostrava que já eram quase 3:30 pm e nos apressamos para chegar ao nosso destino de 4h. A visita ao World Trade Center foi muito triste, embora o lugar era relativamente bonito. Existiam, no lugar que as Torres gêmeas costumavam ocupar, duas piscinas enormes. No contorno de cada uma delas estava gravado o nome de todas as pessoas que morreram no 11/9. Era um memorial e havia muitas pessoas na visita. Descansamos lá um pouco, pois o lugar era todo arborizado e com alguns jardins e fomos andar pelas redondezas. O próximo destino, que eu achei que seria muito chato, pelo nome que tem, era o world financial center. Quando chegamos lá, nem acreditei. Me deparei com um saguão com um teto de vidro por onde o sol entrava, mas a maior parte do calor ficava para fora; era cheio de palmeiras altas e banquinhos espalhados à beirada de cada uma delas. Era um cenário que me lembrava bastante do que seria a Califórnia, o próximo sonho que eu desejava alcançar. Ficamos bastante tempo lá e depois que saímos ainda chegamos à uma praça muito fofa com visão para o East River. Andamos por ela e depois por mais um bom tempo até chegarmos ao Píer 17 que foi, de longe, a melhor parte do dia. Era um porto onde havia várias lojinhas e restaurantes, além de uma área aberta com uma vista maravilhosa. Ficamos passeando um pouco e decidimos comer lá mesmo. Experimentei minha primeira comida chinesa nos Estados Unidos, que era muito boa, apesar de que nenhuma superaria o China In Box do lado da minha casa. Enquanto minha irmã acabava de tomar a sopa sem graça que ela havia escolhido, fui admirar minha cidade. Foi tudo maravilhoso. Peguei o final do pôr do sol no píer e o inicio da noite, quando as luzes começaram a se acender. A vista era linda, estavam fazendo 32 graus e o vento atingia o meu rosto, fazendo uma combinação simplesmente perfeita. Não queria sair de lá nunca mais, ignorando a dor que estava sentindo na perna. Porém, minha mãe me chamou dizendo que teríamos que ir embora. Retornamos pelo mesmo caminho por que viemos e estava passando um filme em uma espécie de cinema ao ar livre na "entrada" do píer. Resolvemos ficar um pouco, o que acabou sendo a sessão inteira. De acordo com meus pais, "Os Caça-Fantasmas" era um clássico e eu deveria assistir. Porém, meu pé estava doendo tanto que eu precisava me sentar. Foi o que eu fiz, no chão mesmo, mas dessa forma as pessoas que estavam em pé - ou até mesmo sentadas nas cadeiras à minha frente -, tampavam metade da tela. Ok, como se eu ligasse para um filme de 40 anos que estava passando em praça pública às 21h da minha quarta-feira. Mas tudo bem, providenciamos um banco um pouco distante o mais rápido possível. Ainda bem que meu pai também estava praticamente morto, eu não queria sofrer sozinha. Quando tudo acabou, resolvemos voltar logo para o hotel, pegando o metrô mais próximo. Foi quando acabou também, o meu segundo dia em Nova York. 


                               

                                



          



                            



Nova York - 1o dia

O avião estava quase pousando, mas a aventura já havia começado. Só estar em um vôo internacional já compensava a viagem. Todos os filmes, séries, músicas e todas as pessoas que também iriam realizar aquele mesmo sonho há tanto tempo guardado dentro de mim. Quando aterrizamos em solo americano, meus olhos já estavam tão molhados que ameaçavam embaçar aquela imagem perfeita, por isso imediatamente os fechava com força, liberando minhas lágrimas. As portas demoraram a se abrir, mas o que aquilo importava? Eu já estava Nova york. Nova york. Minha Nova york. Tantas coisas pra fazer, lugares pra visitar, pessoas para conhecer. E tudo isso era apenas o início. No momento em que começamos a ser liberados, meu coração disparou. Comecei a andar com tanta pressa, com tanta euforia, que mal percebi que estava deixando minha família para trás. Eu não queria viver aquilo sozinha, precisava dividir as emoções com alguém. Então, apenas diminui um pouco o passo enquanto olhava para trás. Assim que minha mãe me alcançou, segurei o braço dela e retornei à velocidade inicial. Meus pensamentos estavam fixos em uma única realidade: Eu estou no JFK. Pra alguns, é um simples aeroporto, mas pra mim era a porta principal para entrar em NY. Tão lindo. Ficamos um tempo andando em direção a alguma saída, mas eram muitos corredores e escadas. O mais emocionante eram as pessoas em todas as direções falando em inglês!! Por mais que aquilo estivesse lindo, queria sair logo de lá. E assim o fizemos, o mais rápido possível. Pegamos um AirTrain que nos levaria a Manhattan e enquanto isso fui observando cada esquina por onde passávamos. Estava tão deslumbrada com a beleza e organização dos Estados Unidos que apenas depois de um bom tempo descobri que aquele lugar era o Brooklyn! (Então era lá que eu chamaria de "minha casa" daqui a alguns anos. Com certeza uma visão linda para se começar o dia). Não demorou muito, talvez porque eu já estava amando aquilo tudo, e descemos do trem para pegar um metrô normal, subterrâneo. Check. Mais um sonho realizado. Foi muito rápido também, mal deu pra aproveitar o ar condicionado. Para quem não sabe, o verão de Nova York é muito quente. Aquele dia estava fazendo uns 40°, mas debaixo do chão consegue ser mais quente ainda. Considerando que ainda estava com "roupas de avião" (blusa, calça jeans, tênis e a blusa de frio amarrada no ombro) que, a propósito, não haviam sido trocadas nas últimas 26 horas, aquele calor estava, digamos.. Insuportável. Se as malas gigantes estavam incomodando? Muito. Tentei ignorá-las e saí do metrô meio desorientada, mas muito feliz. Após alguns passos percebi que o número da rua que marcava a estação era enfeitado com diversos animais na parede. Admirei a criatividade, mas continuei minha caminhada em direção à saída, sem muito tempo para raciocínio. Finalmente avistei uma escada com uma luz no fundo. Tive que parar. Me lembrei de que respirar é importante e me concentrei nisso por um tempo. Logo depois comecei a subir as escadas devagar e desajeitadamente tentando carregar minha mala. Uma pequena brisa me atingiu e os raios de sol me alcançaram. Agora nada mais importava. Aquela visão do Central Park fez meu mundo parar. Aquelas pessoas andando calmamente com ar de verão fez meu corpo atingir uma paz tão grande que eu poderia congelar o tempo e viver aquela sensação pelo resto da vida. Exatamente daquele jeito. Olhei para os lados e finalmente vi. Não era um museu. Era O museu. The American Museum of Natural History. A estação era exatamente debaixo dele. Percebi que estava chorando muito quando as pessoas começaram a me encarar. Algumas por compaixão, percebendo que eu estava emocionada com aquilo tudo; Algumas por dó, imaginando porque eu estaria "triste"; Outras deviam só me achar muito estranha. Mas eu não liguei pra nenhuma delas, apenas tentei conter um pouco as lágrimas por enquanto. Decidimos ir logo para o hotel, trocar de roupa e deixar as malas. Poucos passos depois de começarmos a andar, viramos a primeira rua: 77th st. Então eu ia morar durante aqueles 10 dias na rua do Museu de História Natural. Não tinha como ser melhor. E como se não bastasse, eu estava instalada em uma esquina. 77th com... Broadway. Meu deus. A tão esperada Broadway. Seria aquilo tudo apenas mais um sonho? Se fosse, não queria acordar nunca mais. Ao chegarmos no hotel, vimos que as pessoas eram muito simpáticas e, como ainda não poderíamos ir para o nosso quarto, nos ofereceram um outro para apenas nos organizar. Todos tomamos banho o mais rápido possível e nos preparamos para sair. Andamos o que deve ter sido um quarteirão e já paramos em uma lanchonete para almoçar. Comi meu primeiro hambúrguer americano. Sinceramente, era normal. Por isso mesmo, muito gostoso. A melhor parte foi apertar a maquininha de katchup, embora minha irmã tenha falado que ela existia no Brasil. Bom, primeiras experiências nova-iorquinas também contam. Fomos em direção ao Central Park para andarmos pela 5th Avenue. Pegamos o caminho "errado", que não passava exatamente dentro do parque, e sim em uma estrada, então não teve muita graça. Tudo bem que isso pouco importava naquele momento, pois, ao chegarmos ao outro lado, estávamos no Upper East Side. A quinta avenida é um sonho. O caminho era um silêncio total. Não sei se isso era porque normalmente eu era a pessoa que falava sem parar ou se todos estavam fazendo a mesma coisa que eu: admirando cada esquina da cidade. Chegamos ao museu Guggenheim, o primeiro lugar do meu roteiro. Ele tem uma forma muito bonita, faz uma espécie de espiral. Porém, quando entramos para pedir informação, constatamos que não valia a pena pagar os 22 dólares por pessoa. Assim, saímos logo para não perder tempo. A próxima parada era uma bem esperada. Número 1136. Ali estava. A queen B chamava aquele lugar de home e agora eu estava ali. O prédio da Blair era exatamente como deveria ser. E para deixar tudo ainda mais característico, tinha uma limosine estacionada na porta. Claro que eu tive que colocar a minha cara de pau e tirar uma foto com ela. Depois de algumas, continuamos o passeio. Andamos uma rua para o lado e chegamos à Park Avenue, onde eu queria ver a chamada Synod of Bishops Russian Church. Não podíamos ligar menos para a igreja em si, mas era o lugar onde foram filmadas as cenas da escola das meninas em Gossip Girl (Constance). Estava me sentindo mais realizada a cada minuto que se passava. É impressionante o efeito que Nova York pode provocar em uma pessoa. O próximo destino era o Museum of The City of New York (onde eram gravadas as cenas da escola dos meninos de GG). Eram 10 quarteirões de distancia e, como ja estávamos cansados pela viagem, todos estavam reclamando. Isso e o calor, óbvio. Demorou, mas chegamos. Nele nós entramos, mas era bem sem graça. Claro que rendeu boas fotos, mas não tinha muita coisa a se fazer, além de se sentir dentro de um seriado. Para mim, compensou. Agora sem rumo, apenas passeamos pela cidade. Voltamos para o hotel para tomar banho e arrumar para sair novamente. Não queríamos perder tempo. Nosso destino agora era a tão esperada Times Square. Tínhamos apenas que descer pela Broadway, os poucos 32 quarteirões. Não pensei que pudesse demorar tanto, afinal, verticalmente, as ruas paralelas eram muito próximas umas das outras. Mas nós só chegamos lá umas 21h30, que, a propósito, foi pouco depois do sol se por. Os dias eram incrivelmente longos. Por incrível que pareça, não demoramos pela caminhada em si, e sim pelas paradas que fizemos. Primeiro, achamos um cinema muito fofo, ao qual planejamos na mesma hora retornar algum outro dia. Em seguida, avistei bem de longe e bem pequenas, letras vermelhas e "brilhantes" em que se lia Hotel Empire. Meu coração deu um pulo, como já se esperava. Tentei tirar fotos, mais era muito longe para isso. Bom, e agora? Acho que eu seria obrigada a chegar mais perto. E foi o que eu fiz. Minha irmã e o Thiago (noivo dela) não entendiam minha euforia, por isso disse que era só um hotel famoso. Não teria paciência de explicar o que era O Empire, mas estava a ponto sair pulando pela rua e me instalando no hotel, na esperança de encontrar meu querido Chuck na suite principal. Cheguei o mais perto que pude e tirei as fotos, mas ainda com pressa para chegar à Times Square. A terceira parada foi a mais demorada. Ao chegarmos ao Columbus Circle, uma praça que se encontrava no caminho, e tirarmos algumas fotos, entramos em um prédio que minha mãe queria que nós visitássemos. Era o dizzy coca cola, onde ela queria comprar ingressos para um show de jazz. Lá, encontramos uma moça para a qual fizemos algumas perguntas, as quais não apenas respondeu, mas também nos levou para fazer um tour por todo o ambiente. Era bem grande e a conversa com a Pauline estava muito boa, por isso o tempo passou rápido. O lugar era lindo e fizemos uma reserva para o que, na verdade, era um restaurante com um show ao vivo. Voltaríamos lá no domingo. Quando finalmente conseguimos nos despedir daquela mulher tão fofa de 70 e poucos anos, fomos para a Times. Já estava de noite, o que realçava toda aquela luz. Não sei o que brilhava mais: os meus olhos ou o lugar. Tantas atracões, tantos teatros de musicais que eu queria ver, tantas lojas, tantas pessoas felizes. Parecia um outro mundo. Nova York realmente era "the city that never sleeps", assim como dava vontade de não dormir nunca lá, mas já estávamos mortos de cansaço e era apenas o primeiro dia. Ficamos um tempo nas escadarias vermelhas do prédio, digamos, mais "famoso", no qual todos pensamos quando ouvimos "Times Square" e fomos andar um pouquinho. Entramos na loja da Disney e na Forever 21, mas eu não comprei nada. O Thiago queria comprar um presente para a sobrinha dele, mas eu e meus pais estávamos realmente muito cansados, então resolvemos nos separar deles e ir para o hotel. Foi o tempo de chegar à estação do metrô e andar as 2 ruas até o hotel, pular na cama e dormir, para nos preparar para o segundo dia.