O avião estava quase pousando, mas a aventura já havia começado. Só estar em um vôo internacional já compensava a viagem. Todos os filmes, séries, músicas e todas as pessoas que também iriam realizar aquele mesmo sonho há tanto tempo guardado dentro de mim. Quando aterrizamos em solo americano, meus olhos já estavam tão molhados que ameaçavam embaçar aquela imagem perfeita, por isso imediatamente os fechava com força, liberando minhas lágrimas. As portas demoraram a se abrir, mas o que aquilo importava? Eu já estava Nova york. Nova york. Minha Nova york. Tantas coisas pra fazer, lugares pra visitar, pessoas para conhecer. E tudo isso era apenas o início. No momento em que começamos a ser liberados, meu coração disparou. Comecei a andar com tanta pressa, com tanta euforia, que mal percebi que estava deixando minha família para trás. Eu não queria viver aquilo sozinha, precisava dividir as emoções com alguém. Então, apenas diminui um pouco o passo enquanto olhava para trás. Assim que minha mãe me alcançou, segurei o braço dela e retornei à velocidade inicial. Meus pensamentos estavam fixos em uma única realidade: Eu estou no JFK. Pra alguns, é um simples aeroporto, mas pra mim era a porta principal para entrar em NY. Tão lindo. Ficamos um tempo andando em direção a alguma saída, mas eram muitos corredores e escadas. O mais emocionante eram as pessoas em todas as direções falando em inglês!! Por mais que aquilo estivesse lindo, queria sair logo de lá. E assim o fizemos, o mais rápido possível. Pegamos um AirTrain que nos levaria a Manhattan e enquanto isso fui observando cada esquina por onde passávamos. Estava tão deslumbrada com a beleza e organização dos Estados Unidos que apenas depois de um bom tempo descobri que aquele lugar era o Brooklyn! (Então era lá que eu chamaria de "minha casa" daqui a alguns anos. Com certeza uma visão linda para se começar o dia). Não demorou muito, talvez porque eu já estava amando aquilo tudo, e descemos do trem para pegar um metrô normal, subterrâneo. Check. Mais um sonho realizado. Foi muito rápido também, mal deu pra aproveitar o ar condicionado. Para quem não sabe, o verão de Nova York é muito quente. Aquele dia estava fazendo uns 40°, mas debaixo do chão consegue ser mais quente ainda. Considerando que ainda estava com "roupas de avião" (blusa, calça jeans, tênis e a blusa de frio amarrada no ombro) que, a propósito, não haviam sido trocadas nas últimas 26 horas, aquele calor estava, digamos.. Insuportável. Se as malas gigantes estavam incomodando? Muito. Tentei ignorá-las e saí do metrô meio desorientada, mas muito feliz. Após alguns passos percebi que o número da rua que marcava a estação era enfeitado com diversos animais na parede. Admirei a criatividade, mas continuei minha caminhada em direção à saída, sem muito tempo para raciocínio. Finalmente avistei uma escada com uma luz no fundo. Tive que parar. Me lembrei de que respirar é importante e me concentrei nisso por um tempo. Logo depois comecei a subir as escadas devagar e desajeitadamente tentando carregar minha mala. Uma pequena brisa me atingiu e os raios de sol me alcançaram. Agora nada mais importava. Aquela visão do Central Park fez meu mundo parar. Aquelas pessoas andando calmamente com ar de verão fez meu corpo atingir uma paz tão grande que eu poderia congelar o tempo e viver aquela sensação pelo resto da vida. Exatamente daquele jeito. Olhei para os lados e finalmente vi. Não era um museu. Era O museu. The American Museum of Natural History. A estação era exatamente debaixo dele. Percebi que estava chorando muito quando as pessoas começaram a me encarar. Algumas por compaixão, percebendo que eu estava emocionada com aquilo tudo; Algumas por dó, imaginando porque eu estaria "triste"; Outras deviam só me achar muito estranha. Mas eu não liguei pra nenhuma delas, apenas tentei conter um pouco as lágrimas por enquanto. Decidimos ir logo para o hotel, trocar de roupa e deixar as malas. Poucos passos depois de começarmos a andar, viramos a primeira rua: 77th st. Então eu ia morar durante aqueles 10 dias na rua do Museu de História Natural. Não tinha como ser melhor. E como se não bastasse, eu estava instalada em uma esquina. 77th com... Broadway. Meu deus. A tão esperada Broadway. Seria aquilo tudo apenas mais um sonho? Se fosse, não queria acordar nunca mais. Ao chegarmos no hotel, vimos que as pessoas eram muito simpáticas e, como ainda não poderíamos ir para o nosso quarto, nos ofereceram um outro para apenas nos organizar. Todos tomamos banho o mais rápido possível e nos preparamos para sair. Andamos o que deve ter sido um quarteirão e já paramos em uma lanchonete para almoçar. Comi meu primeiro hambúrguer americano. Sinceramente, era normal. Por isso mesmo, muito gostoso. A melhor parte foi apertar a maquininha de katchup, embora minha irmã tenha falado que ela existia no Brasil. Bom, primeiras experiências nova-iorquinas também contam. Fomos em direção ao Central Park para andarmos pela 5th Avenue. Pegamos o caminho "errado", que não passava exatamente dentro do parque, e sim em uma estrada, então não teve muita graça. Tudo bem que isso pouco importava naquele momento, pois, ao chegarmos ao outro lado, estávamos no Upper East Side. A quinta avenida é um sonho. O caminho era um silêncio total. Não sei se isso era porque normalmente eu era a pessoa que falava sem parar ou se todos estavam fazendo a mesma coisa que eu: admirando cada esquina da cidade. Chegamos ao museu Guggenheim, o primeiro lugar do meu roteiro. Ele tem uma forma muito bonita, faz uma espécie de espiral. Porém, quando entramos para pedir informação, constatamos que não valia a pena pagar os 22 dólares por pessoa. Assim, saímos logo para não perder tempo. A próxima parada era uma bem esperada. Número 1136. Ali estava. A queen B chamava aquele lugar de home e agora eu estava ali. O prédio da Blair era exatamente como deveria ser. E para deixar tudo ainda mais característico, tinha uma limosine estacionada na porta. Claro que eu tive que colocar a minha cara de pau e tirar uma foto com ela. Depois de algumas, continuamos o passeio. Andamos uma rua para o lado e chegamos à Park Avenue, onde eu queria ver a chamada Synod of Bishops Russian Church. Não podíamos ligar menos para a igreja em si, mas era o lugar onde foram filmadas as cenas da escola das meninas em Gossip Girl (Constance). Estava me sentindo mais realizada a cada minuto que se passava. É impressionante o efeito que Nova York pode provocar em uma pessoa. O próximo destino era o Museum of The City of New York (onde eram gravadas as cenas da escola dos meninos de GG). Eram 10 quarteirões de distancia e, como ja estávamos cansados pela viagem, todos estavam reclamando. Isso e o calor, óbvio. Demorou, mas chegamos. Nele nós entramos, mas era bem sem graça. Claro que rendeu boas fotos, mas não tinha muita coisa a se fazer, além de se sentir dentro de um seriado. Para mim, compensou. Agora sem rumo, apenas passeamos pela cidade. Voltamos para o hotel para tomar banho e arrumar para sair novamente. Não queríamos perder tempo. Nosso destino agora era a tão esperada Times Square. Tínhamos apenas que descer pela Broadway, os poucos 32 quarteirões. Não pensei que pudesse demorar tanto, afinal, verticalmente, as ruas paralelas eram muito próximas umas das outras. Mas nós só chegamos lá umas 21h30, que, a propósito, foi pouco depois do sol se por. Os dias eram incrivelmente longos. Por incrível que pareça, não demoramos pela caminhada em si, e sim pelas paradas que fizemos. Primeiro, achamos um cinema muito fofo, ao qual planejamos na mesma hora retornar algum outro dia. Em seguida, avistei bem de longe e bem pequenas, letras vermelhas e "brilhantes" em que se lia Hotel Empire. Meu coração deu um pulo, como já se esperava. Tentei tirar fotos, mais era muito longe para isso. Bom, e agora? Acho que eu seria obrigada a chegar mais perto. E foi o que eu fiz. Minha irmã e o Thiago (noivo dela) não entendiam minha euforia, por isso disse que era só um hotel famoso. Não teria paciência de explicar o que era O Empire, mas estava a ponto sair pulando pela rua e me instalando no hotel, na esperança de encontrar meu querido Chuck na suite principal. Cheguei o mais perto que pude e tirei as fotos, mas ainda com pressa para chegar à Times Square. A terceira parada foi a mais demorada. Ao chegarmos ao Columbus Circle, uma praça que se encontrava no caminho, e tirarmos algumas fotos, entramos em um prédio que minha mãe queria que nós visitássemos. Era o dizzy coca cola, onde ela queria comprar ingressos para um show de jazz. Lá, encontramos uma moça para a qual fizemos algumas perguntas, as quais não apenas respondeu, mas também nos levou para fazer um tour por todo o ambiente. Era bem grande e a conversa com a Pauline estava muito boa, por isso o tempo passou rápido. O lugar era lindo e fizemos uma reserva para o que, na verdade, era um restaurante com um show ao vivo. Voltaríamos lá no domingo. Quando finalmente conseguimos nos despedir daquela mulher tão fofa de 70 e poucos anos, fomos para a Times. Já estava de noite, o que realçava toda aquela luz. Não sei o que brilhava mais: os meus olhos ou o lugar. Tantas atracões, tantos teatros de musicais que eu queria ver, tantas lojas, tantas pessoas felizes. Parecia um outro mundo. Nova York realmente era "the city that never sleeps", assim como dava vontade de não dormir nunca lá, mas já estávamos mortos de cansaço e era apenas o primeiro dia. Ficamos um tempo nas escadarias vermelhas do prédio, digamos, mais "famoso", no qual todos pensamos quando ouvimos "Times Square" e fomos andar um pouquinho. Entramos na loja da Disney e na Forever 21, mas eu não comprei nada. O Thiago queria comprar um presente para a sobrinha dele, mas eu e meus pais estávamos realmente muito cansados, então resolvemos nos separar deles e ir para o hotel. Foi o tempo de chegar à estação do metrô e andar as 2 ruas até o hotel, pular na cama e dormir, para nos preparar para o segundo dia.
Simplisme lindo, muito bacana. Que pena que é pouco o tempo que se tem. Mas deve ter válido cada minuto.
ResponderExcluirMuito legais as fotos, mas acho legal colocar descrição em cada uma (se precisar pra fazer sentido... nem todas precisam, claro!)...
ResponderExcluirDaqui a pouco comento sobre o texto =P
Bom, vamos lá...
ResponderExcluirQue isso hein? A mais nova a estrear a viagem internacional! Hahahaha Eu acho que fui mais cedo que a Ana, e agora você bateu meu record... Mas vai ter que continuar assim... COLTEC, UFMG, etc. (só pra fazer pressão =P)... Mas a minha primeira viagem internacional foi pra uma cidade bem menor, e desconhecida, então foi bem diferente... Imagino chegar de cara em NYC, ainda mais com esse tanto de série que você assiste! Hahahahaha Deve ser a maior viadagem! =P
Sobre o JFK, também foi a porta de entrada pra NYC, mas continua sendo só mais um aeroporto... Talvez, por não ter sido o primeiro, né?
Wow, todos falando inglês! Que impressionante! Hahahaha isso aí já dava pra esperar, né?? Tipo, não só esperar, mas não ser emocionante, sei lá...
Você nunca tinha andado de metrô em São Paulo ou no Rio? É a mesma coisa... Assim, em NYC há muito mais linhas, mas você pega um de cada vez, né? Hahahaha então dá no mesmo, na hora de pegar ele...
Mentira que você se concentrou em respirar, aposto que estava concentrada em escrever suas notas! Hahahahaha
É, o hotel é na Broadway mas, na verdade, ficava numa parte da Broadway que ela já tinha até feito curva! Hahahaha Mas sim, de primeira, dá um friozinho mesmo!
Hahahahahahaha gorda! Pois é, ela existia, principalmente no Xodó, antigamente, e em alguns McDonald's também... E, pasme: as do Xodó tinham Heinz dentro!!! A gente ia no Xodó só pra comer um Cheeseburger (o mais barato deles) e encher de ketchup!
US$ 22 por pessoa?? Que pão-duragem! Hahahaha
Escreve "Limousine", na verdade... eu acho! =P
É... vendo de cima, da Lua, a Times Square e o hotel eram bem próximos, mesmo!
Hotel Empire? É, eu, mesmo, nunca nem ouvi falar! hahahahaha ^^
Pauline era a moça de 70 e x anos?
Hahahahaha é, eu até que tive vontade de dormir lá sim! =P Você não queria morar lá??