sábado, 10 de agosto de 2013

Nova York - 6o dia

O dia começou muito bem. No café da manhã não tínhamos apenas o pão com queijo, mas também o biscoito que o Eduardo trouxe do Arizona. Ele era tão bom! Era recheado com um sabor de sorvete lá. Chamava Oreo. Será que existe no Brasil? Enfim, comemos e fomos começar o passeio. Seria um dia de despedida. Não de nova york, mas de uma das poucas coisas que eu amo mais do que essa cidade. O vôo do Eduardo estava marcado para às 5:55 pm, então teríamos que chegar ao aeroporto LaGuardia pelo menos às 4:30. Por isso, não queríamos perder tempo. O único plano para o dia era o Museu de Historia Natural, embora não desse para ficar lá tanto quanto eu gostaria. Chegamos bem rápido. Era muito conveniente o museu ser na mesma rua do hotel, apenas 3 avenidas para o leste. Fiquei louca com aquele lugar. Ele era lindo! E enorme! Tiramos várias fotos, mas meu irmão queria que a maioria fosse na máquina dele, que, tenho que admitir, era muito melhor do que a câmera do iPhone. Ficamos um tempo sozinhos, nós dois, pois fomos os únicos que queríamos ver a atração no planetário, que a Ana e o Thiago recomendaram, pois já haviam visto no dia anterior, quando por "acidente" ganharam ingressos para o museu. O show era fantástico, contava a história do Big Bang e do universo de uma maneira muito bonita. Chamava-se Journey to the Stars. Assim que acabou, 30 minutos depois, combinamos de encontrar para almoçar, no museu mesmo. Tinham muitas opções, mas eu, muito saudável que sou, optei pela pizza e eu e minha irmã dividimos uma  porção batata frita. Ela é tão gorda quanto eu. Ficamos mais um tempinho andando e chegou a hora de voltar para o hotel, para pegar as malas do Eduardo e ir para o aeroporto. Saímos lá para as 15h, pegamos um metrô e logo em seguida o ônibus M60 que ia direto ao LaGuardia. Ele passava pela ponte para chegar ao Queens, que na verdade não sei bem qual era, mas nunca me canso daquela vista.  Chegamos ao aeroporto 16:15 e o embarque começava 17:30, então teríamos esse tempo para nos despedir. Sentamos para conversar e eu acabei convencendo minha mãe de comprar um sorvete que, por "ser muito grande", eu, espontaneamente, claro, dividi com o Eduardo. Ele comia o sabor mais gostoso entre as duas bolas, mas tudo bem. Eu já estava muito feliz só por estar ali com ele. Assim que ele resolveu confirmar o vôo, percebeu que havia tido algum erro lá e ele precisaria embarcar mais cedo. Como eram 17h naquele momento, isso significaria um "agora". Então tinha chegado a hora. Eu sou péssima em despedidas. Deixei para abraçá-lo por último e o assisti enquanto ele entrava por aquelas portas de embarque. Tentei não chorar e, embora tenha conseguido, minha cara de tristeza misturada com saudade passava basicamente a mesma mensagem. Não foi tão ruim quanto quando ele foi para Michigan, afinal ele voltaria para o Brasil em 3 semanas, mas mesmo assim... Foi muito bom estar com ele por um tempinho e eu não sei se estava pronta para estar longe de novo. Mas era assim que seria, independentemente da minha humilde opinião. Não demoramos muito para sair de lá, climas de embarque são muito ruins. Na volta, tivemos a ideia de passar em um lugar que eu queria muito ir, mas não tinha conseguido encaixar no roteiro, pois era muito distante de onde iríamos visitar durante aqueles dias. Porém, uma das estacões do ônibus era praticamente na porta. Estava decidido, então: vamos conhecer a Columbia! Mesmo com um mapa nas mãos, demorei um pouco a achá-la, afinal só conhecia algumas partes de seu interior que apareciam em Gossip Girl. Depois de um tempo, finalmente avistei, com letras gravadas na parede: "Columbia University". Não imaginei que ela fosse tão linda! Lá dentro era enorme e os prédios (que deviam ser as faculdades) com um estilo bem antigo. De cara imagiei como seria bom estudar lá, mas lembrei também de como deveria ser absurdamente caro e absurdamente impossíve conseguir uma bolsa. Entramos, incusive, em uma das salas e aquilo tudo era muito legal. Eu queria ficar o dia inteiro fazendo um tour pela campus, tínhamos que voltar ao hotel para tomar banho e arrumar para o show de jazz. Estava marcado para às 21h30, então poderíamos ir com calma se saíssemos aquele horário. Chegamos lá às 21h e nos deparamos com uma fila com outras várias pessoas que, assim como nós, haviam feito reserva. Ficar em pé com aquele salto era bem desconfortável, mas foi até rápido. Contrariando nossas preocupações, pegamos o lugar que, para mim, era o melhor. Nossa mesa era do lado direito do palco, com uma vista maravilhosa do final do central Park, da Columbus Circle e de toda Nova York. Fizemos os pedidos e eu tive que tomar um refrigerante, enquanto meus pais, a Ana e o Thiago dividiam um coquetel que, de acordo com eles, era delicioso. Eu, com meu hambúrguer e um baldinho - literalmente - de batata frita, apreciava a música. Descobri que os caras eram realmente muito bons depois que o Thiago me fez reparar nos "dons" de cada um. Um deles tocava piano, o outro saxofone, o terceiro contrabaixo e por último, um na bateria. Estava tudo muito bom, mas eu realmente estava morta de sono, então lá para as 23h eu não agüentei mais, apoiei na mesa e dormi. Os aplausos me acordavam de tempos em tempos, mas eu voltava aos meus sonhos em 5 segundos, sem problemas. Umas 23h30 fomos embora e voltamos para o hotel de metrô. Tirar o salto e deitar na cama deve ter sido a melhor sensação do dia. Meu pé estava doendo tanto... Dormi rápido, mas com um certo aperto no coração. Tudo bem, os 21 dias não demorariam tanto assim a passar, mas com certeza os próximos 5 passariam voando!





quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Nova York - 5o dia

No dia mais importante de todos, ela resolveu não me chamar. Mas não fez diferença, uma vez que eu estava tão ansiosa que acordei sozinha. Nem tomei banho. Saí da cama em um pulo às 7:20 e troquei de roupa com pressa, pois na noite anterior minha mãe disse que queria sair do hotel às 7:30. Reclamei bastante, alegando que seria muito cedo e ela apenas falou que se eu quisesse ela iria sem mim. Pensei que ela estivesse brincando e fui dormir. Para minha surpresa, era sério. Fiquei um pouco chateada e, se eu não tivesse acordado naquele horário e ela realmente me deixasse para trás, ficaria arrasada. Porém, deu relativamente tudo certo. Tomamos café juntas, com calma até. Saímos pouco depois de 8:00 e pegamos o metrô, como sempre. Contudo, dessa vez, deixamos a Ana e o Thiago, que preferiram dormir por mais um tempo. Descemos na estação onde pegaríamos um ônibus. Ainda tínhamos que comprar passagens para o M60, que nos levaria ao aeroporto La Guardia. Com algumas confusões, saímos de lá às 8:40, percebendo que estávamos atrasados. O ônibus demorou pouco mais de 45 minutos, já que tinha que cruzar a ponte e atravessar boa parte do Queens. Começamos a ficar aflitos. Tínhamos que ter chegado ao aeroporto às 8:30, mas não imaginávamos que fosse tão longe. Será que daria tudo certo? Tinha que dar. Agradeci pela invenção do celular e esperei que minha mãe fizesse a ligação. Combinamos de nos encontrar com ele no Check-in da Delta. Ficamos o que pareceram anos procurando-o no meio da multidão, mas constatamos que ele não estava ali. Pedi informações para um cara que trabalhava lá e descobrimos que havia outro local para o Check-In, no terminal C, no prédio ao lado. Nem sei se lembrei de agradecê-lo ou se apenas saí andando euforicamente em direção ao lugar que ele havia mencionado. Não era muito longe e estávamos quase correndo, então não demorou muito. Resolvi pedir informação novamente para achar logo. Eu não agüentava mais aquela ansiedade. Descobri que era no andar de cima e avistei uma escada rolante, pela qual subi apressada. Olhei para os lados e de repente o vi. Depois de 11 meses, finalmente eu poderia dar um abraço no meu irmão. Saí correndo o mais rápido que consegui, enquanto ele tirava os fones de ouvido, e assim que o alcancei, pulei em seu pescoço. Ele estava exatamente como eu lembrava, apenas com roupas mais formais, que contou serem devido ao estágio do qual ele havia vindo. Ficamos abraçados por um bom tempo, e eu lutava comigo mesma para não chorar. Provavelmente, ele lutava consigo para respirar, de tanto que eu devia estar o esmagando. Resolvi deixar meu pai matar a saudade também, que foi quando minha mãe nos alcançou e se juntou à nossa pequena celebração. Meus pais o ajudaram com as malas, já eu apenas agarrei o braço direito dele e seguimos em direção à saída do aeroporto. Pegaríamos o mesmo ônibus M60 para retornarmos a Manhattan. Com mais algumas confusões chegamos ao nosso destino e resolvemos ir de taxi até o hotel. Adorei a idéia. Estava louca para andar de taxi em Nova York. Não demorou muito e nós estávamos lá. Para minha surpresa, a Ana estava acordada e ainda não eram nem 11h!! Planejávamos visitar o Met, que meu irmão não conheceu em sua última ida a NYC, mas com o atraso, decidimos passear no Central Park e andar um pouco pela 5th Avenue. Passamos por um lugar lindo que eu ainda não tinha visto. Ainda sentíamos calor, mas a temperatura estava muito mais agradável do que nos dias anteriores. Quando chegamos a uma fonte que estava mais ou menos na metade do caminho (sabíamos disso porque o Eduardo usava o GPS do celular novo o tempo inteiro), imaginei se poderia ser A fonte que eu tanto queria ver, mas logo percebi que não era. Continuamos a andar e, pouco depois, avistei um lugar familiar. Ao chegar mais perto, descendo as escadas, lá estava ela! A fonte da abertura de Friends!! Corri para tirar muitas fotos. Ela era maravilhosa. E enorme. Ao observar com mais cuidado, reconheci a cena do último episódio de Gossip Girl, em que todos se reúnem para celebrar o casamento da Blair e do Chuck. Eu estava adorando, além de estar em Nova York, poder me sentir dentro dos meus seriados preferidos. Ao atravessarmos o resto do parque, seguimos para o Sul. Tínhamos uma reserva marcada no restaurante Sardi's as 15:30 e era para lá que estávamos indo. Porém, ele ficava na Times Square, então teríamos que voltar para o lado oeste, como se estivéssemos cruzando o parque novamente, e descer várias ruas. Era longe, mas eu estava amando cada segundo, já que enquanto isso eu desfrutava da quinta avenida e da companhia do meu irmão. Ele, por sua vez, morria de calor, comigo ainda agarrada em um dos braços. O passeio estava ótimo e não demoramos a achar o restaurante. Semanas antes eu coloquei o Sardi's na programação. O processo era o seguinte: Uma pessoa famosa fazia uma refeição e teria sua caricatura pendurada na parede. Em seguida ela a autografava. Eu  o conheci a partir e um episódio de Glee filmado em NYC, e desde então tive vontade de visitá-lo. Lá era exatamente como era retratado na série e em várias fotos que eu havia visto. A comida também era muito boa, mas a melhor parte foi a sobremesa. Eu, minha mãe e minha irmã escolhemos algo, enquanto os homens se voluntariaram para dividir conosco. Claro que adoramos a idéia. Eu pedi um cheesecake, minha mãe pediu um creme brulée que eu também estava louca pra experimentar e a Ana pediu uma outra coisa lá. Os doces eram cada um melhor do que o outro, e eu fiquei muito feliz de poder provar essas comidas que não existem no Brasil. Saímos do "almoço" umas 17:30 e fomos passear pela Times. Pouco tempo depois, meus pais lembraram que não tinham levado os ingressos do musical, pois acharam que iríamos voltar ao hotel mais tarde. Porém, aquilo não faria o menor sentido, pois perderíamos muito tempo. Então, eles foram buscá-los, enquanto eu, meus irmãos e o Thiago fomos passear. Tivemos a idéia de visitar o Rockefeller Center, com o qual eu já estava apaixonada e o Eduardo também não conhecia. Eu poderia aproveitar para mostrar uma certa lojinha... Uma que eu tinha vontade de colocar na mala e levar para casa. No caminho, começou a chover! Já que não tomaríamos banho e iríamos à Broadway assistir ao Rei Leão algumas horas mais tarde, não tinha a menor possibilidade de podermos nos molhar. Nos escondemos debaixo de alguns lugares, mas a chuva estava fraca e não demorou a passar, então pudemos continuar nosso caminho sem muita demora. O Rockefeller estava, como sempre, lindo, e meu irmão parecia estar gostando. Mostrei pra ele a NBC e ele já aproveitou para comprar uma caneca e uns copinhos de House. Eu o entendia. Aquela loja tem este poder - Ninguém consegue ir embora de mãos vazias. Eram mais ou menos 19h quando saímos de lá. Resolvemos comprar alguma coisa para comer, porque depois do musical - que acabaria umas 23h - iríamos voltar direto para o hotel. Compramos alguns lanches na Starbucks e fomos para a Times Square encontrar meus pais. Tínhamos combinado 19:40 e chegamos na hora certa! Uhul. Eles chegaram uns 5 minutos depois com nossos ingressos e nós resolvemos entrar logo. Eu estava tão ansiosa! E plenamente feliz. Assim que o espetáculo começou, ou melhor, assim que a primeira pessoa cantou a primeira nota musical, já estávamos sem palavras! Era uma música tão linda e tão bem apresentada que dava vontade de chorar. Os animais eram tão realistas que você quase esquecia que eram pessoas controlando-os. Eles realmente eram artistas. Tive também a oportunidade de descobrir um vício do meu irmão do qual eu ainda não tinha conhecimento. Ele sabia todas as falas dos personagens! Eram as mesmas do filme e chegava a ser irritante o tanto que ele sabia. Era exatamente por isto que eu estava adorando - me lembrava dos velhos tempos. Bom, o show foi maravilhoso (e eu estava morrendo de inveja das crianças que deviam ter uns 8 anos saberem cantar bem melhor do que eu), mas logo acabou e tivemos que ir embora. Sim, mais um final de dia. Teria que me despedir de Nova York em pouco tempo e agora levando para casa mais uma série de lembranças, na esperança, apenas, de conhecer as próximas. 



                


                                     
                            

sábado, 3 de agosto de 2013

Nova York - 4o dia

Meus olhos demoraram a se abrir. Eu amo tanto Nova York... Mas aquela cama estava me atraindo. Ouvi minha mãe se arrumando e enrolei o máximo que pude para ela não perceber que eu também já estava acordada. Porém, eu teria que levantar logo se quisesse lavar o cabelo. Acabei o banho o mais rápido que pude e tomei café com a mesma pressa. Hoje, o Brooklyn me esperava e eu queria aproveitá-lo bastante. A Ana e o Thiago seguiriam caminhos diferentes, então fomos só nós três. Quem dera tivéssemos forças para atravessar a ponte... Pegamos o metrô mesmo. Descemos em Brooklyn Heights e começamos a andar por lá. Queríamos chegar ao Brooklyn Bridge Park, que ficava no "litoral", mas acabamos indo na direção oposta, o que nos levou a um outro parque, chamado Columbus, que era lindo. Na hora já planejei morar naquela região, para correr ali de manhã, todo os dias. Enfim, quando descobrimos que estávamos no lugar errado, voltamos em direção aonde tínhamos vindo. Reconheci o "parque" (caminho com um mísero resquício de vegetação) de vários episódios de Gossip Girl. De lá dava para ver os Piers de Manhattan e eu logo lembrei de quando fomos ao Píer 17 e de como aquela vista era ainda mais linda no pôr do sol. Ficamos sentados em um dos banquinhos por uns 2 minutos para admirar a vista e logo fomos embora, pois não tinha mais nada para se fazer. Fomos para o Norte, uma região chamada Dumbo e apenas passeamos por lá. Eu queria seguir pela Water St para achar a casa do Dan (um personagem de GG), mas demoramos muito para encontrar a rua e quando finalmente dobramos a esquina e nos entramos nela, o primeiro número que avistei foi o 4 - o Dan morava no 455. Minha força de vontade não é tão grande assim. Além disso, a Water st era muito feia, parecia um beco abandonado. Desisti da minha idéia e fomos conhecer mais um pouco do Dumbo. Lá era cheio de barzinhos e lojinhas, mas eu também não achei muito bonito. Entramos em um bar para tomar água (gelada) e pedir informações. Eu sempre fui péssima nisso. Sempre que viajávamos pelo Brasil ou até mesmo em um bairro que não conhecíamos, os meus pais paravam em um posto de gasolina para perguntar como se chegava em algum lugar. Já no inicio da explicação eu me perdia e deixava que meu pai entendesse o que a pessoa estava falando. Eu sempre fui completamente inútil nesse quesito. Porém, sendo a única que falava e entendia inglês, em Nova York eu era a encarregada de "saber para onde ir". Isso era até bem legal, mas na maioria das vezes muita responsabilidade para mim e eu nem sempre acertava. No Brooklyn, ainda bem, deu tudo certo e nós conseguimos achar a estação de metrô mais próxima que continha a linha laranja, que nos levaria à Coney Island. O caminho foi maravilhoso, pois o metrô não era subterrâneo, então conseguíamos ver o bairro e toda sua beleza. Não iríamos brincar no parque de diversões, nem nadar na praia que existiam lá, mas queríamos conhecer o Aquário. Ele era no calçadão, então: 1) acabamos visitando a praia de qualquer jeito; 2) vimos o parque bem de perto. O mar estava cheio. Se eu morasse lá, provavelmente estaria junto daquelas pessoas, pois estava absurdamente quente. No aquário, o ar condicionado fazia com que conseguíssemos respirar uma substância muito mais parecida com oxigênio. Lá era bonitinho. Porém, a parte realmente legal foi ver um show que estava para começar quando chegamos. Se me lembro bem, era de graça, pois pagamos pela entrada no aquário. Adorei o leão marinho que fazia as "apresentações". Ele era lindo e chegava do nosso lado em algumas partes. Durou mais ou menos meia hora e no final estávamos quase todos pulando naquelas piscinas, já que o show era em um espaço aberto. Ou seja, nada de oxigênio. Depois disso, ficamos um tempo na parte interna do aquário para ver os peixes com calma. Eu estava quase gritando com aquelas crianças que ficavam batendo no vidro, socando o vidro, pulando no vidro, quase quebrando a droga do vidro. Mas me contive, esperando que algum segurança chegasse e fizesse isso ele mesmo. Antes de ir embora, provamos um sorvete de bolinha que eu e minha mãe queríamos experimentar. Ele era muito mais fofo do que gostoso, para falar a verdade. Valeu a intenção, mas minha vontade por um sorvete - de verdade - não diminuiu. A próxima parada, pegando novamente o metrô, era o Prospect Park, de onde seguiríamos para o jardim botânico e o Grand Army Plaza. Porém, não tínhamos idéia de quão grande era aquele parque. Inclusive, ficamos perdidos lá dentro. Em volta, ele era lindo, com caminhos ora de terra, ora de cimento mesmo e várias árvores. Já no interior, tudo que se via era um enorme espaço com nada além de grama. Meus pensamentos eram: 1) nunca senti tanto calor na minha vida, acho que vou desmaiar a qualquer momento; 2) Com alguns pares de gols e o desenho dos limites das áreas, esse lugar viraria uma série de campos de futebol. Tínhamos que cruzar o parque para chegar ao jardim botânico, mas demoramos tanto que desistimos da idéia e apenas tentamos achar a saída que dava para o Grand Army. Quando finalmente conseguimos, tiramos algumas fotos da praça, que era muito bonita e cenário de alguns filmes e pegamos um metrô para voltar a Manhattan. Eram umas 4h da tarde e o meu plano era chegar à Times Square e comprar um ingresso para um musical, que eles vendem em promoção, apenas para o mesmo dia. Tinham descontos de 20, 30, 40 e até 50%! Deu tudo certo e conseguimos comprar para Cinderella, às 20h - 40%. Eu estava pulando de alegria. Ainda no Brasil, tive que escolher apenas 1 musical, pelo qual pagaríamos o preço original, para que pudéssemos ter certeza de que conseguiríamos ingressos para todos. Eu estava na dúvida se preferia ver Cinderella ou O Rei Leão, mas como não seria só eu, mas minha família inteira que iria assistir, tive que escolher a 2a opção. Porém, agora seria apenas eu e minha mãe, e ainda por cima com desconto, então não ficou tão caro assim e eu poderia ver os dois musicais que eu tanto queria! Corremos para o hotel para tomar banho e arrumar, pois tínhamos - só - 3 horas! Voltamos à Times Square umas 19h20 e ficamos passeando. Pouca coisa para fazer é que não era. Quando deu 19h40, nos separamos do meu pai, que tinha ido também para ficar por lá, fazer algumas compras e depois voltar conosco para o hotel, e entramos no teatro. Tudo lá era maravilhoso: o piso, o teto, as escadas, os lustres, o banheiro e enfim, o palco, as cadeiras, os nossos lugares, os efeitos, as músicas, os cantores, a história! Não podíamos tirar fotos, nem filmar, mas se pudéssemos eu teria gravado o espetáculo inteiro. É realmente indescritível. Dava vontade de ver um a cada noite. Quando acabou, nos encontramos com meu pai em uma Starbuck e voltamos ao hotel. Nesta noite, meus sonhos eram voltados para músicas, princesas, felizes para sempre... Nova York.











segunda-feira, 29 de julho de 2013

Nova York - 3o dia

"Ai". Foi a primeira coisa em que eu pensei. E a segunda. Na verdade foi a única coisa que conseguiu alcançar meus pensamentos a cada passo que dei até o banheiro. Tomar banho poderia ajudar, mas a dor não sumiria como uma mágica. Queria poder dizer que eu superaria e que nada estragaria meus preciosos dias, mas estava doendo muito. E com certeza acabaria com alguma porcentagem da minha felicidade. Porém, não havia mais nada que eu pudesse fazer, além de arrumar para sair. Isso porque "sair" significava conhecer cara a cara a cidade que há tanto tempo ocupava minha mente. Eu sempre tive uma visão muito bonita de Nova York, o que impulsionou meu sonho, mas, ao vivo, tudo era 1000 vezes mais bonito. Tomei banho, o que realmente diminuiu boa parte do sofrimento, e tomamos café. Tínhamos descoberto, já no dia anterior, uma padaria ao lado do hotel, onde começamos a comprar pão, queijo, sucos e.. Só. Era essa a nossa refeição. Esquentávamos no microondas do quarto (como não tínhamos prato, usávamos o papel da sacola das compras - elite BH). O nosso destino de hoje era Midtown. Não pegamos o metrô, o que poderia até não ter sido uma grande idéia, mas valeu a pena, pois passamos pelo Central Park. Acho que não existe no mundo algum lugar mais lindo do que esse parque. As árvores são altas, com folhas perfeitamente verdes, atravessadas por raios de sol que deixam uma sombra no caminho por onde passamos. Os lagos, de águas limpas, fazem um reflexo da cidade, desmanchado quando as pessoas passam por cima em suas canoas. E as pontes deixam tudo mais mágico, dando a impressão de que aquele cenário foi retirado de um conto de fadas, em que você é a mais linda de todas as princesas. Entre passos, suspiros e fotos, atravessamos o parque. Meu pai queria nos levar à loja da Apple, onde todos ficamos loucos. Por fora, ela era toda de vidro, enfeitada com uma grande maçã branca que parecia estar flutuando. Descemos as escadas e nos encontramos rodeados por milhões de iPads, iPhones, iMacs, iPods, etc. Ficamos um tempo lá, enquanto o dinheiro continuou guardadinho na carteira. Claro que eu, desastrada que sou, tive que ativar o alarme de um iPod, o que fez com que todas as pessoas olhassem em minha direção. Menos o vendedor, óbvio, que demorou anos pra chegar lá. Para ir embora, subimos o elevador, o que eu estava doida pra fazer, pois ele também era de vidro, em uma forma cilíndrica. Tinha até fila, apesar de ser apenas 1 andar e ter uma escada a exatos 2 passos de distância. Como eu falei, ele era muito legal. Mal deixamos a loja da Apple e entramos em uma outra ao lado, dessa vez de brinquedos. Porém, tudo que eu consegui enxergar foi a enorme seção de doces no fundo. Eles eram absurdamente caros, mas eu consegui convencer minha mãe a colocar uns 100g de balas no saquinho (o que correspondia a mais ou menos 2 centímetros de altura). Coloquei de tudo um pouco, uma vez que "pouco" significava 1 exemplar. O que mais me chamou atenção foi a world's largest gummy bear. Ela era realmente gigante, precisaríamos de dias para comê-la. Mas eu, infelizmente, não tive a oportunidade de tentar. Saí da FAO com apenas meu saquinho e fomos, enfim, ao 1o destino do meu roteiro. Andamos, andamos e chegamos. Meu coração novamente parou ao chegarmos ao saguão principal do Grand Central Terminal. Estaria eu com uma irritante fixação ao pensar que aquele era o lugar onde Gossip Girl havia começado? "Someone saw Serena getting of the train at grand central!" Tive que tirar uma foto onde alguém tirou uma foto dela. Quando meus pais conseguiram me arrastar para fora de lá, fomos até a First Avenue, para conhecer a famosa ONU. A caminhada pareceu uma eternidade, pois estava muito quente. Lá era muito bonito, com bandeiras de vários países, que rodeavam a grande entrada que seguia para um prédio alto. Eu estava contando os segundos para poder entrar e encontrar um ar condicionado, mas para nossa incrível sorte, só poderíamos se tivéssemos agendado uma visita guiada. Aproveitamos uma humilde sombra por alguns minutos e até pensamos em pegar um taxi, mas resolvemos andar mesmo, parar em algum lugar e almoçar de uma vez. O restaurante que escolhemos era bem simples, mas pelo menos deu pra descansar um pouco e acumular algumas energias. Nossa próxima parada seria o Rockefeller Center, mas no caminho passaríamos por alguns lugares que eu queria conhecer, como o Palace Hotel e o Waldorf Astoria. Este era bem bonito, mas não teve a menor graça; aquele estava fechado para reforma, o que me deixou meio chateada, mas logo seguimos em frente. O Rockefeller era muito legal. Tinha uma parte exterior onde havia uma espécie de restaurante, mas quando eu pedi à moça para entrar e tirar foto ela respondeu que lá era privado e não eram permitidas as fotografias. (???) ok né. Entramos em um dos prédios e mais uma vez a temperatura já me deixou feliz. Ficamos passeando um pouco lá dentro e descobrimos a existência do chamado Top of the Rock, em que subimos até o terraço e temos uma visão da cidade por quanto tempo quisermos. Compramos os ingressos e nos separamos da minha irmã, combinando de nos encontrar às 7:40 pm. Enquanto isso, eu e meus pais faríamos nossa própria programação e ela, provavelmente, faria compras. O lugar que eu mais queria ver era a NBC Experience, localizada em 30 Rockefeller Plaza. Foi muito fácil achá-la. Assim que entrei, meus olhos brilharam. Minha vontade era comprar tudo lá! Eram camisetas, canecas, chaveiros, almofadas de várias séries. Uma das primeiras seções era a de Friends e eu fiquei louca!! Pena que as coisas eram caras, senão eu realmente teria esvaziado aquele lugar. Avisei minha mãe que eu tinha que ter pelo menos algumas lembranças. Voltei para a entrada, onde outra coisa me chamou atenção: uma cadeira. Não era uma simples cadeira, mas a de The Voice, com direito a apertar o botão e ler "I WANT YOU". Ao lado ainda havia camisetas do Adam, da Shakira, do Usher e do Blake com diferentes frases. Aquela loja era perfeita. Comprei alguns chaveiros, mas depois eu voltaria lá e levaria mais coisas. Foi muito difícil sair, mas vi que estava na hora. Tínhamos que conhecer o Bryant Park, rapidamente, e depois visitar a Times Square para pegar nossos ingressos para o musical do Rei Leão que iríamos no sábado. Deu pra ir com calma. O parque era lindo, e a Times mágica como sempre, porém aquela visão do Top of the Rock superou todas as minhas expectativas. Ficamos lá por quase 2 horas, mas pareceram minutos. O sol se pôs e a cidade, até então clara, ficou iluminada. Eu não conseguia parar de tirar fotos e fazer vídeos, para marcar as diferenças de tempos em tempos. A cada segundo que se passava, tudo ficava ainda mais lindo. Aquela Nova York maravilhosa de filmes e séries realmente existia, e estava ali, ao meu alcance, ainda mais bonita do que eu esperava que fosse. Quando finalmente voltamos ao hotel, eu me arrumei para dormir o mais rápido que pude e apenas desmaiei na cama, imaginando se o próximo dia também seria assim tão bom.














                                


domingo, 28 de julho de 2013

Nova York - 2o dia

Quando estamos muito cansados, a noite passa no que parecem ser 5 minutos. Minha mãe me acordou pontualmente às 7h. Pensei em protestar, em pedir mais meia hora de sono, mas lembrei de que eu estava em Nova York e acordar cedo era exatamente o que eu queria. Isso porque esse seria o único jeito de aproveitar tudo. E dormir tarde, claro. Acho que decidimos fazer os dois, por precaução. Quando abri os olhos e senti meu corpo, tudo da minha cintura para baixo estava dolorido. Mesmo com o ar condicionado ligado, estava com calor. Fiquei preocupada. Se na manhã do segundo dia eu já estava assim, como eu iria agüentar 10? Decidi tomar banho para tentar ganhar forças. Meu cabelo agradeceria, pois ele tinha ficado imundo no dia anterior. Sai do banheiro bem melhor, mas meu pé ainda doía. E não. Não era uma dor boa de "ela só existe porque eu estou em Nova York e isso é muito legal". Era uma dor mesmo - horrível, chata e persistente. Depois de arrumar e pegar o metrô (estávamos usando tanto o subterrâneo que decidimos comprar, por 30 dólares cada, passagens ilimitadas por 7 dias), chegamos ao Lower Manhattan. Lá, resolvemos pegar uma balsa que passaria pela Estátua da Liberdade e pararia na Staten Island. Nós não desceríamos na estátua, mas chegaríamos perto o suficiente para admira-lá e tirarmos boas fotos. No passeio, descobri que aquela paz que eu havia sentido no dia anterior não era quase nada comparada àquela sensação. Enquanto eu olhava para toda a cidade, sentia o vento no meu rosto (o vento de Nova York) e observava o símbolo da liberdade dos Estados Unidos ficando cada vez mais próximo, contornado por um rio de águas claras que, de tempos em tempos, respingavam em mim. Chegamos à ilha, mas não fizemos nada além de esperar pela balsa que retornaria a Manhattan. De volta ao Sul do meu lugar preferido no mundo, começamos a procurar as atrações do roteiro. Passamos por um museu que não estava nos planejamentos, mas que foi muito legal. Era dos índios americanos, o que era até interessante, mas acho que o que eu mais gostei foi do "frio" que estava fazendo lá dentro. Sempre soube que nos Estados Unidos e em diversos lugares do mundo onde a temperatura atinge níveis muito baixos, nas épocas de inverno, o interior dos ambientes tem um aquecedor. Isso devia ser ótimo para que as pessoas entrassem e não precisassem ficar com seus casacos gigantes enquanto comiam alguma coisa ou conversavam com alguém. Porém, nunca imaginei que isso também funcionava com o calor e que no verão existiria um ar condicionado tão forte em - literalmente - todos os lugares em que entrássemos. Graças a deus esse costume existia. Acho que eu não agüentaria aqueles 40º por muito tempo. Depois do museu, fomos procurar o touro de bronze do Battery Park. Diz a lenda que quem tira uma foto encostando no foucinho do animal terá riqueza pelo resto da vida. Minha mãe, semanas antes, já estava obcecada com ele, mesmo que não acreditasse nessas superstições. O encontramos ao avistar uma fila grande de pessoas. Ao chegar mais perto, percebemos que elas estavam do lado direito do touro e que tinha também um fotógrafo na frente dele. Não iríamos de jeito nenhum esperar naquele lugar, então aproveitamos o lado esquerdo - completamente vazio - e tiramos fotos, encostados no corpo dele mesmo. Quem sabe teríamos metade da riqueza? Para mim estava ótimo. Enquanto esperávamos pelo dinheiro que teoricamente cairia do céu, voltamos a aproveitar Nova York. Passamos pela Wall Street, uma rua famosa, pelo que eu ouvi dizer. Lá era muito legal e tinha várias lojinhas. A parte que eu mais gostei foi um mini supermercado que a gente encontrou no caminho, onde compramos alguns biscoitos legais, froot loops (de Nova York!!) e a melhor parte: uma água especial. No Brasil, a encontrei no Verde Mar por 16 reais. Nos Estados Unidos, por menos de 5 dólares cada, avistei uma prateleira cheia delas. Lá estava, escrito repetidas vezes na minha frente: VOSS. Eu tinha que comprar aquela água. Não era possível... Uma água de 16 reais devia ter sido retirada da fonte da juventude. Nem esperei que pagássemos e abri a garrafa para tirar uma foto tomando Voss. Decidi fazer um video, pois o retrato não dizia "retardada" o suficiente. Fiz a melhor cara que pude para não decepcionar minha mãe (quase tão empolgada quanto eu), pois ela tinha o mesmo sabor de qualquer outra água de 1,50. Mas quem liga? No mínimo eu poderia pagar de rica e tomar Voss quando voltasse ao Brasil, pois com certeza eu guardaria a garrafinha. Depois de sairmos do mercadinho, fomos procurar o cubo vermelho que, nada mais era do que um "dado" gigante. Mas minha mãe insistiu que queria vê-lo e, de certa forma, era caminho. Foi bem fácil acha-lo, óbvio. (O que é um pontinho vermelho no meio de 50 mil prédios pretos em NYC?). Tiramos fotos tentando fazer parecer com que estávamos segurando o cubo, ou escorando nele, ou sendo esmagados, etc, mas não tínhamos tanto talento. Parecíamos apenas pessoas com sérios problemas mentais fazendo isso no meio da rua. Olhamos para o relógio, que mostrava que já eram quase 3:30 pm e nos apressamos para chegar ao nosso destino de 4h. A visita ao World Trade Center foi muito triste, embora o lugar era relativamente bonito. Existiam, no lugar que as Torres gêmeas costumavam ocupar, duas piscinas enormes. No contorno de cada uma delas estava gravado o nome de todas as pessoas que morreram no 11/9. Era um memorial e havia muitas pessoas na visita. Descansamos lá um pouco, pois o lugar era todo arborizado e com alguns jardins e fomos andar pelas redondezas. O próximo destino, que eu achei que seria muito chato, pelo nome que tem, era o world financial center. Quando chegamos lá, nem acreditei. Me deparei com um saguão com um teto de vidro por onde o sol entrava, mas a maior parte do calor ficava para fora; era cheio de palmeiras altas e banquinhos espalhados à beirada de cada uma delas. Era um cenário que me lembrava bastante do que seria a Califórnia, o próximo sonho que eu desejava alcançar. Ficamos bastante tempo lá e depois que saímos ainda chegamos à uma praça muito fofa com visão para o East River. Andamos por ela e depois por mais um bom tempo até chegarmos ao Píer 17 que foi, de longe, a melhor parte do dia. Era um porto onde havia várias lojinhas e restaurantes, além de uma área aberta com uma vista maravilhosa. Ficamos passeando um pouco e decidimos comer lá mesmo. Experimentei minha primeira comida chinesa nos Estados Unidos, que era muito boa, apesar de que nenhuma superaria o China In Box do lado da minha casa. Enquanto minha irmã acabava de tomar a sopa sem graça que ela havia escolhido, fui admirar minha cidade. Foi tudo maravilhoso. Peguei o final do pôr do sol no píer e o inicio da noite, quando as luzes começaram a se acender. A vista era linda, estavam fazendo 32 graus e o vento atingia o meu rosto, fazendo uma combinação simplesmente perfeita. Não queria sair de lá nunca mais, ignorando a dor que estava sentindo na perna. Porém, minha mãe me chamou dizendo que teríamos que ir embora. Retornamos pelo mesmo caminho por que viemos e estava passando um filme em uma espécie de cinema ao ar livre na "entrada" do píer. Resolvemos ficar um pouco, o que acabou sendo a sessão inteira. De acordo com meus pais, "Os Caça-Fantasmas" era um clássico e eu deveria assistir. Porém, meu pé estava doendo tanto que eu precisava me sentar. Foi o que eu fiz, no chão mesmo, mas dessa forma as pessoas que estavam em pé - ou até mesmo sentadas nas cadeiras à minha frente -, tampavam metade da tela. Ok, como se eu ligasse para um filme de 40 anos que estava passando em praça pública às 21h da minha quarta-feira. Mas tudo bem, providenciamos um banco um pouco distante o mais rápido possível. Ainda bem que meu pai também estava praticamente morto, eu não queria sofrer sozinha. Quando tudo acabou, resolvemos voltar logo para o hotel, pegando o metrô mais próximo. Foi quando acabou também, o meu segundo dia em Nova York. 


                               

                                



          



                            



Nova York - 1o dia

O avião estava quase pousando, mas a aventura já havia começado. Só estar em um vôo internacional já compensava a viagem. Todos os filmes, séries, músicas e todas as pessoas que também iriam realizar aquele mesmo sonho há tanto tempo guardado dentro de mim. Quando aterrizamos em solo americano, meus olhos já estavam tão molhados que ameaçavam embaçar aquela imagem perfeita, por isso imediatamente os fechava com força, liberando minhas lágrimas. As portas demoraram a se abrir, mas o que aquilo importava? Eu já estava Nova york. Nova york. Minha Nova york. Tantas coisas pra fazer, lugares pra visitar, pessoas para conhecer. E tudo isso era apenas o início. No momento em que começamos a ser liberados, meu coração disparou. Comecei a andar com tanta pressa, com tanta euforia, que mal percebi que estava deixando minha família para trás. Eu não queria viver aquilo sozinha, precisava dividir as emoções com alguém. Então, apenas diminui um pouco o passo enquanto olhava para trás. Assim que minha mãe me alcançou, segurei o braço dela e retornei à velocidade inicial. Meus pensamentos estavam fixos em uma única realidade: Eu estou no JFK. Pra alguns, é um simples aeroporto, mas pra mim era a porta principal para entrar em NY. Tão lindo. Ficamos um tempo andando em direção a alguma saída, mas eram muitos corredores e escadas. O mais emocionante eram as pessoas em todas as direções falando em inglês!! Por mais que aquilo estivesse lindo, queria sair logo de lá. E assim o fizemos, o mais rápido possível. Pegamos um AirTrain que nos levaria a Manhattan e enquanto isso fui observando cada esquina por onde passávamos. Estava tão deslumbrada com a beleza e organização dos Estados Unidos que apenas depois de um bom tempo descobri que aquele lugar era o Brooklyn! (Então era lá que eu chamaria de "minha casa" daqui a alguns anos. Com certeza uma visão linda para se começar o dia). Não demorou muito, talvez porque eu já estava amando aquilo tudo, e descemos do trem para pegar um metrô normal, subterrâneo. Check. Mais um sonho realizado. Foi muito rápido também, mal deu pra aproveitar o ar condicionado. Para quem não sabe, o verão de Nova York é muito quente. Aquele dia estava fazendo uns 40°, mas debaixo do chão consegue ser mais quente ainda. Considerando que ainda estava com "roupas de avião" (blusa, calça jeans, tênis e a blusa de frio amarrada no ombro) que, a propósito, não haviam sido trocadas nas últimas 26 horas, aquele calor estava, digamos.. Insuportável. Se as malas gigantes estavam incomodando? Muito. Tentei ignorá-las e saí do metrô meio desorientada, mas muito feliz. Após alguns passos percebi que o número da rua que marcava a estação era enfeitado com diversos animais na parede. Admirei a criatividade, mas continuei minha caminhada em direção à saída, sem muito tempo para raciocínio. Finalmente avistei uma escada com uma luz no fundo. Tive que parar. Me lembrei de que respirar é importante e me concentrei nisso por um tempo. Logo depois comecei a subir as escadas devagar e desajeitadamente tentando carregar minha mala. Uma pequena brisa me atingiu e os raios de sol me alcançaram. Agora nada mais importava. Aquela visão do Central Park fez meu mundo parar. Aquelas pessoas andando calmamente com ar de verão fez meu corpo atingir uma paz tão grande que eu poderia congelar o tempo e viver aquela sensação pelo resto da vida. Exatamente daquele jeito. Olhei para os lados e finalmente vi. Não era um museu. Era O museu. The American Museum of Natural History. A estação era exatamente debaixo dele. Percebi que estava chorando muito quando as pessoas começaram a me encarar. Algumas por compaixão, percebendo que eu estava emocionada com aquilo tudo; Algumas por dó, imaginando porque eu estaria "triste"; Outras deviam só me achar muito estranha. Mas eu não liguei pra nenhuma delas, apenas tentei conter um pouco as lágrimas por enquanto. Decidimos ir logo para o hotel, trocar de roupa e deixar as malas. Poucos passos depois de começarmos a andar, viramos a primeira rua: 77th st. Então eu ia morar durante aqueles 10 dias na rua do Museu de História Natural. Não tinha como ser melhor. E como se não bastasse, eu estava instalada em uma esquina. 77th com... Broadway. Meu deus. A tão esperada Broadway. Seria aquilo tudo apenas mais um sonho? Se fosse, não queria acordar nunca mais. Ao chegarmos no hotel, vimos que as pessoas eram muito simpáticas e, como ainda não poderíamos ir para o nosso quarto, nos ofereceram um outro para apenas nos organizar. Todos tomamos banho o mais rápido possível e nos preparamos para sair. Andamos o que deve ter sido um quarteirão e já paramos em uma lanchonete para almoçar. Comi meu primeiro hambúrguer americano. Sinceramente, era normal. Por isso mesmo, muito gostoso. A melhor parte foi apertar a maquininha de katchup, embora minha irmã tenha falado que ela existia no Brasil. Bom, primeiras experiências nova-iorquinas também contam. Fomos em direção ao Central Park para andarmos pela 5th Avenue. Pegamos o caminho "errado", que não passava exatamente dentro do parque, e sim em uma estrada, então não teve muita graça. Tudo bem que isso pouco importava naquele momento, pois, ao chegarmos ao outro lado, estávamos no Upper East Side. A quinta avenida é um sonho. O caminho era um silêncio total. Não sei se isso era porque normalmente eu era a pessoa que falava sem parar ou se todos estavam fazendo a mesma coisa que eu: admirando cada esquina da cidade. Chegamos ao museu Guggenheim, o primeiro lugar do meu roteiro. Ele tem uma forma muito bonita, faz uma espécie de espiral. Porém, quando entramos para pedir informação, constatamos que não valia a pena pagar os 22 dólares por pessoa. Assim, saímos logo para não perder tempo. A próxima parada era uma bem esperada. Número 1136. Ali estava. A queen B chamava aquele lugar de home e agora eu estava ali. O prédio da Blair era exatamente como deveria ser. E para deixar tudo ainda mais característico, tinha uma limosine estacionada na porta. Claro que eu tive que colocar a minha cara de pau e tirar uma foto com ela. Depois de algumas, continuamos o passeio. Andamos uma rua para o lado e chegamos à Park Avenue, onde eu queria ver a chamada Synod of Bishops Russian Church. Não podíamos ligar menos para a igreja em si, mas era o lugar onde foram filmadas as cenas da escola das meninas em Gossip Girl (Constance). Estava me sentindo mais realizada a cada minuto que se passava. É impressionante o efeito que Nova York pode provocar em uma pessoa. O próximo destino era o Museum of The City of New York (onde eram gravadas as cenas da escola dos meninos de GG). Eram 10 quarteirões de distancia e, como ja estávamos cansados pela viagem, todos estavam reclamando. Isso e o calor, óbvio. Demorou, mas chegamos. Nele nós entramos, mas era bem sem graça. Claro que rendeu boas fotos, mas não tinha muita coisa a se fazer, além de se sentir dentro de um seriado. Para mim, compensou. Agora sem rumo, apenas passeamos pela cidade. Voltamos para o hotel para tomar banho e arrumar para sair novamente. Não queríamos perder tempo. Nosso destino agora era a tão esperada Times Square. Tínhamos apenas que descer pela Broadway, os poucos 32 quarteirões. Não pensei que pudesse demorar tanto, afinal, verticalmente, as ruas paralelas eram muito próximas umas das outras. Mas nós só chegamos lá umas 21h30, que, a propósito, foi pouco depois do sol se por. Os dias eram incrivelmente longos. Por incrível que pareça, não demoramos pela caminhada em si, e sim pelas paradas que fizemos. Primeiro, achamos um cinema muito fofo, ao qual planejamos na mesma hora retornar algum outro dia. Em seguida, avistei bem de longe e bem pequenas, letras vermelhas e "brilhantes" em que se lia Hotel Empire. Meu coração deu um pulo, como já se esperava. Tentei tirar fotos, mais era muito longe para isso. Bom, e agora? Acho que eu seria obrigada a chegar mais perto. E foi o que eu fiz. Minha irmã e o Thiago (noivo dela) não entendiam minha euforia, por isso disse que era só um hotel famoso. Não teria paciência de explicar o que era O Empire, mas estava a ponto sair pulando pela rua e me instalando no hotel, na esperança de encontrar meu querido Chuck na suite principal. Cheguei o mais perto que pude e tirei as fotos, mas ainda com pressa para chegar à Times Square. A terceira parada foi a mais demorada. Ao chegarmos ao Columbus Circle, uma praça que se encontrava no caminho, e tirarmos algumas fotos, entramos em um prédio que minha mãe queria que nós visitássemos. Era o dizzy coca cola, onde ela queria comprar ingressos para um show de jazz. Lá, encontramos uma moça para a qual fizemos algumas perguntas, as quais não apenas respondeu, mas também nos levou para fazer um tour por todo o ambiente. Era bem grande e a conversa com a Pauline estava muito boa, por isso o tempo passou rápido. O lugar era lindo e fizemos uma reserva para o que, na verdade, era um restaurante com um show ao vivo. Voltaríamos lá no domingo. Quando finalmente conseguimos nos despedir daquela mulher tão fofa de 70 e poucos anos, fomos para a Times. Já estava de noite, o que realçava toda aquela luz. Não sei o que brilhava mais: os meus olhos ou o lugar. Tantas atracões, tantos teatros de musicais que eu queria ver, tantas lojas, tantas pessoas felizes. Parecia um outro mundo. Nova York realmente era "the city that never sleeps", assim como dava vontade de não dormir nunca lá, mas já estávamos mortos de cansaço e era apenas o primeiro dia. Ficamos um tempo nas escadarias vermelhas do prédio, digamos, mais "famoso", no qual todos pensamos quando ouvimos "Times Square" e fomos andar um pouquinho. Entramos na loja da Disney e na Forever 21, mas eu não comprei nada. O Thiago queria comprar um presente para a sobrinha dele, mas eu e meus pais estávamos realmente muito cansados, então resolvemos nos separar deles e ir para o hotel. Foi o tempo de chegar à estação do metrô e andar as 2 ruas até o hotel, pular na cama e dormir, para nos preparar para o segundo dia.